De todas as entrevistas que eu fiz, essa foi a que eu mais gostei. Não sei se gostei tanto por ser a profissão que escolhi para o meu futuro. Mas de tanto que gostei ao invés de 10 perguntas, teremos 11 o/
O entrevistado de hoje é Fernando Schwarz, 52 anos, jornalista formado na Pontifícia Universidade Católica em Campinas. Trabalha na Rede Globo há 23 anos, atualmente exerce o cargo de gerente de jornalismo emissora TV Fronteira, afiliada Rede Globo para a região de Presidente Prudente, desde 2003. Anteriormente, trabalhou na TV Globo São Paulo, Bauru e Sorocaba.
1- Como é o dia a dia de um jornalista?
O dia-a-dia de um jornalista é completamente sem nenhuma rotina. Ao chegar à redação, o jornalista, especialmente aqueles que desempenham a função de repórter, recebe a sua tarefa diária, que é a produção as reportagens a que lhe são confiadas. E nenhum dia é igual ao outro para quem escolhe essa profissão. Um dia você está cobrindo uma guerra e num outro pode estar num campo de futebol para fazer a reportagem de uma partida. Como a gente costuma dizer, jornalista nunca sabe o que vai fazer, é uma profissão movida pelo inesperado.
2- Você já pensou em ser outro profissional?
Comecei a me apaixonar pelo jornalismo muito cedo. Quando pequeno, morava na esquina das ruas Campos Salles e Quintino Bocaiúva e em frente de casa, havia a oficina gráfica do Jornal Folha de Jaú. Todos os dias, ia até oficina ver como se rodava o jornal e fui me encantando com o jornal impresso. Aos 16 anos, já trabalhava num jornal editado pelo meu irmão, Paulo. Aos 19, fui contratado pelo Jornal Correio Popular de Campinas, um dos maiores do interior do Brasil. Até cheguei a prestar vestibular para medicina veterinária, mas bastou apenas a prova para eu me certificar que queria mesmo jornalismo.
3- Para ser um bom jornalista, necessariamente precisa saber escrever muito bem?
Sem dúvida nenhuma. Na minha opinião, os primeiros e mais importantes atributos que uma pessoa precisa ter para ser um bom jornalista são: gostar de escrever, de contar história, de narrar fatos e depois, precisa conhecer a fundo a nossa língua. Não há como um jornalista sobreviver senão gostar e souber escrever.
4- Jornalismo tem muitas áreas diferentes, como TV, redação, fotojornalismo. Se você tivesse que mudar de área qual escolheria?
Eu trabalho especificamente com jornalismo na TV há 20 anos, mas minha formação no jornalismo é de impresso, atuando em jornais. Também atuei durante 11 anos em emissoras de rádio e hoje, além da TV, gerencio também uma equipe de jornalismo Web. As quatro áreas são fascinantes e têm as suas particularidades: o rádio com o seu imediatismo, hoje também grande força do jornalismo web; o jornal com a sua força de detalhar uma notícia como nenhum outro e a TV com a força da imagem e de sua grande exposição. Se um dia fosse mudar, escolheria o jornalismo na internet, a área que mais cresce no jornalismo.
5- Dizem que jornalismo é a 2ª profissão mais estressante do mundo. O que te estressa mais no trabalho?
Acho que em qualquer profissão em que você vive o drama dos outros é muito estressante. Vejam o médico, por exemplo, por mais que o profissional seja frio, não há como não se envolver na luta pela cura. No caso dos bombeiros, a mesma coisa. E com o jornalista não é diferente. Passamos a vida contando o drama das pessoas, seja na cobertura de um acidente, de um assalto, de uma enchente. Além disso, o jornalista trava uma guerra diária com o relógio para cumprir os “deadlines”, que são os horários de fechamento das edições, mais terríveis para quem trabalha numa emissora de TV.
6- É verdade que jornalista “não tem hora” para parar de trabalhar?
É, jornalista tem hora para começar a trabalhar, nunca para terminar o trabalho. Existe até uma brincadeira que fala: jornalista está sempre atrasado para o trabalho porque não sabe a hora que vai sair... É uma grande verdade, pois não dá para interromper um factual em andamento para o jornalista bater o cartão. Na cobertura de um grande acontecimento, as grandes redações têm equipes para render os jornalistas em fim de jornada, mas essa é uma realidade de pouquíssimos veículos de imprensa. A maioria trabalha até o fim mesmo, sem hora para parar.
7- A pior parte e a melhor parte de ser jornalista?
A melhor, sem dúvida, é o jornalismo comunitário, em que o jornalista consegue melhorar a vida das pessoas, devolvendo a elas a dignidade que muitas vezes os políticos se esquecem, mesmo sendo obrigação deles. A pior, eu não sei. Quando a gente faz com aquilo que gosta dificilmente tem a pior parte. Se tivesse que escolher uma, o gosto amargo de levar um furo de reportagem de um concorrente.
8- Para ser jornalista não precisa mais de faculdade. Você acha que mesmo assim é importante se formar? Um jornalista formado de um que não é, é necessariamente melhor que o outro (as empresas dão mais valor ao formado)?
Entendo que em qualquer profissão, a formação acadêmica é fundamental para a atuação profissional de boa qualidade. Tanto que os próprios veículos de comunicação, os mais importantes, continuam exigindo o diploma e o registro profissional. Na TV Globo e suas emissoras afiliadas, por exemplo, não há jornalistas sem diploma.
9- Em relação à área/cargo que você trabalha, me explique o que faz?
Estou há oito anos como gerente de jornalismo da TV Fronteira, afiliada Rede Globo para a região de Presidente Prudente. Como o próprio nome já diz, a gerência abrange todas as etapas de trabalho de uma redação. Começa com a contratação dos profissionais que irão desempenhar as diversas funções dentro de uma redação. No caso de uma redação de TV, são basicamente quatro as áreas de atuação: produção, onde atuam os produtores que buscam os assuntos que vão virar notícia na TV, reportagem (em que se incluem os repórteres e repórteres-cinematográficos), edição de texto, área em que as reportagens ganham forma e edição de imagem, momento em que as reportagens são finalizadas nas ilhas de edição. Um gerente de jornalismo também coordena o esquema de trabalho de uma redação, definindo regras e normas de apuração das notícias, aprovação das reportagens que vão ao ar nos telejornais, além do trabalho burocrático, de controle de orçamento, dos custos com a compra de equipamentos e dos gastos como o de horas extras.
10- Você tem alguma dica para quem vai cursar jornalismo ou começar a trabalhar na área?
Acho que a principal delas é a dedicação. O jornalismo é uma área muito técnica e a maioria dos estudantes detesta o lado teórico dos cursos universitários. Mas é fundamental para se ter uma boa formação de cultura geral e depois ter bagagem na hora de produzir uma reportagem. Dedicação acima de tudo e depois de formado, rigor na apuração de uma reportagem, pois uma notícia falsa ou distorcida pode acabar com a vida de uma pessoa, como aconteceu no famoso caso da Escola Base em São Paulo , em que os donos de uma escola de educação infantil foram acusados de estupro de uma criança e nunca foi provado. Os jornalistas acreditaram na versão da polícia sem realizar o trabalho de apuração e esse foi, na minha opinião, o maior erro do jornalismo brasileiro moderno.
11- O mercado de trabalho é bom?
O mercado de trabalho para o profissional de jornalismo está em constante evolução. As chamadas novas mídias, especialmente a internet, tem aberto um campo significativo de novos empregos É um segmento que não tem limites, que se descobre a cada dia. Deu um novo animo aos profissionais do jornalismo. O no jornalismo por parte de algumas redes de TV também deu um impulso interessante ao mercado de trabalho.
Espero que tenham gostado tanto quanto eu. Caso queiram um profissional especifico para a próxima entrevista deixem as sugestões no comentário.

Muito legal. Eu to no primeiro ano da faculdade de jornalismo.
Adorei o blog!